sábado, 9 de maio de 2009

ÔNIBUS 174 - GERENCIAMENTO DE CRISE

Este analise é referente à tomada de 11 reféns após o assalto ao ônibus da linha 174 na cidade do Rio de Janeiro, bairro do Jardim Botânico em 12 de junho de 2000. Fato registrado no documentário do diretor José Padilha, “Ônibus 174” de 2002 , que comoveu a nação.Este gerenciamento de crisefoi explorado pela mídia e transmitido em todos os seus detalhes pela televisão, o que nos possibilitou fazer uma analise pormenorizada de vários pontos. Apesar de todas as considerações sociológicas a cerca desse episódio, nos deteremos no aspecto de gerenciamento de crise.

FATO

Tarde do dia 12 de junho de 2000 na cidade do Rio de janeiro o sobrevivente da chacina da Candelária que ocorrera a alguns anos, Sandro Nascimento, assalta um ônibus e no desenrolar desse ato toma como reféns 11 pessoas no ônibus 174. O negociador do BOPE (Batalhão de Operações Especiais), Capitão Batista é autorizado pelo comando a se deslocar iniciar as negociações. A partir deste ponto analisaremos vários aspectos desta operação que deixou dois mortos, o próprio Sandro e a Professora Geísa um dos reféns.
NEGOCIADOR

O Capitão Batista(especialista em negociação) foi o primeiro oficial do BOPE a chegar, porém não acionou as primeiras medidas para conter e isolar a crise o que pouparia muitos contratempos a toda equipe.
Em alguns momentos não sabíamos quem negociava com o causador da crise visto que o Cel. Penteado ,Comandante do BOPE no período , o substituía sem aviso prévio.
sem nenhuma proteção o negociador dialogava com o sequestrador. A periculosidade do fato era evidente, ele poderia ter realizado esta ação através do celular de alguma das vitimas ou pelo menos usado colete com painel balístico.


FONTES DE INFORMAÇÃO

Pelo o que foi observado no vídeo não houve entrevista dos reféns liberados pelo seqüestrador o que poderia dar informações preciosas sobre sua personalidade e objetivos. Não houve aparentemente a procura ou entrevistas com parentes das pessoas seqüestradas ou do seqüestrador.
O fato era transmitido pela TV e também pelo CFTV da CET/RIO e estas imagens deveriam ser aproveitadas a fim de realizar uma ação tática.

GERENTE DO TEATRO DE OPERAÇÕES


O Cel. Penteado era o homem responsável pela coordenação de todo o teatro de operações como: posicionamento da força tática, providenciar a rede de comunicação, instalar o posto de comando, designar o encarregado de logística, estabelecer controle de entrada e saída de veículos e pessoas, acionar a imprensa, analisar a crise, enfim tomar decisões cruciais para o gerenciamento da crise, porém ele estava permanentemente na linha de frente se confundindo com o negociador.
PERÍMETROS DE SEGURANÇA

A fim de programar as medidas de resposta imediata, isolar, conter e negociar, os perímetros de segurança teriam que ser implantados imediatamente criando uma zona tampão em torno do perímetro interno que naturalmente envolveria o ponto crítico, no caso de nossa analise o ônibus 174. Tomemos como exemplo o disparo efetuado pelo seqüestrador que poderia atingir qualquer pessoa. Essa falha expôs em muito a equipe, negociador, policiais, populares, jornalistas e a própria operação, pois a decisão de neutralizar o causador da crise seria exposta para todo o Brasil e o mundo, visto que não havia obstáculos à aproximação de jornalistas ou qualquer pessoa do povo, fato comprovado ao termino da operação quando centenas de pessoas se lançaram sobre Sandro nascimento, Não foi criado um posto de comando ou de controle de viaturas essenciais o gerenciamento do teatro de operações.
Durante o seqüestro, Sandro se comunicou com o mundo exterior com total liberdade, não atendendo a um procedimento básico de manter contato somente com o negociador evitando o a comunicação externa.

SINDROME DE ESTOCOLMO
A Síndrome de Estocolmo caracteriza-se por ser um estado psicológico, no qual as vítimas de um seqüestro – ou pessoas detidas contra a sua vontade - estabelecem um relacionamento com seu captor. A vítima desenvolve a doença por uma questão de sobrevivência, pois precisa se identificar com o seqüestrador criando um mecanismo de defesa.
No seqüestro do ônibus 174 podemos observar a síndrome a partir da encenação da execução de uma das reféns, onde todos os capturados participaram e confirmaram a morte da vitima a fim de se manterem vivos e ganharem a confiança do seqüestrador que por outro lado também se identificou com uma refém que lhe contara a história (fictícia) de um irmão presidiário, libertando-a após um pedido dos outras vitimas.
Verificamos que o negociador tardiamente orienta uma das reféns para que esta desenvolvesse uma relação mais amistosa com o causador da crise, acreditamos que esta orientação deveria acontecer com mais brevidade, pois durante a crise muitas vitimas chegavam as janelas e uma falou ao celular três vezes.

COMUNICAÇÃO

Durante a crise as comunicações entre a equipe e comando eram feitas por meio de gestos. O único a usar um celular era o gerente de operações Cel. Penteado a fim de, segundo declarações da equipe, se comunicar com altas autoridades do governo estadual. Não houve atenção para a logística, falha impensada para um empreendimento de tal magnitude e conseqüências gravíssimas para a sociedade devido a sua repercussão.

GRUPO TÁTICO

Acreditamos que o sniper e o grupo tático deveriam ser acionados a partir da possível execução da refém, haja vista a situação, a probabilidade de eliminação das outras vitimas seria uma questão de tempo. Inúmeras vezes o seqüestrador se tornou um alvo fácil, bastando uma ordem que apesar de sua gravidade tornava-se necessária naquele momento.
O momento para a ação do grupo tático, não foi o ideal, pois como afirmamos no parágrafo anterior o houve oportunidades com menor risco, além é claro do armamento que também não era apropriado, pois não se tratava de uma arma de precisão.

CONCLUSÃO

Segundo o FBI crise “È um evento crucial, que exige uma resposta especial da Polícia, a fim de assegurar uma solução aceitável”. A tomada de reféns em um assalto é considerada uma ocorrência de altíssimo risco, logo exige medidas e recursos especiais. Apesar de todo o preparo técnico do BOPE(Batalhão de Operações Especiais) as falhas na administração do teatro de operações, de logística e de procedimentos impactaram a operação .

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